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Pai da cavadinha apostava cerveja nos pênaltis antes de virar herói da Euro

UOL Esporte

08/02/2018 04h00

Colorsport

Deslocar o goleiro com uma cavadinha não é assim tão fácil: Cristiano Ronaldo, Pirlo e Neymar já desperdiçaram pênaltis assim. Imagine então se for a última cobrança valendo o título da Eurocopa em cima dos atuais campeões do mundo. Foi assim, sob extrema pressão, que o tcheco Antonin Panenka apresentou o truque ao mundo. De uma vez só, ele virou o criador da cavadinha e herói do maior feito de seu país no futebol.

Aliás, é só no Brasil que o toque sutil por baixo da bola na hora do pênalti é chamado de “cavadinha”. No resto do mundo, é conhecido como “Panenka”. A decisão da Eurocopa de 1976 estava nos pés dele depois do empate por 2 a 2 entre Alemanha e Tchecoslováquia. O alemão Hoeness tinha acabado de errar sua cobrança, e Panenka precisava superar o paredão Sepp Maier para comemorar o título. Com extrema frieza, deslocou o goleirão com a primeira cavadinha da história e correu para o abraço.

Sua ousadia ganhou enorme repercussão, e Panenka, que nem era titular no começo da campanha, virou o grande nome da conquista. Pelé chegou a dizer que “ou Panenka estava louco ou era um predestinado para o futebol”. Na verdade, aquela cobrança de pênalti seria repetida muitas outras vezes. Só a Tchecoslováquia que nunca mais seria campeã de nada. E nem por isso o feito ganhou o devido reconhecimento na época.

“A nossa vitória foi festejada em casa, sem excessos nem publicidade. O comunismo não nos permitia um tratamento especial”, relembra Panenka em entrevista ao Observador. Segundo ele, a única coisa que mudou foi a pressão da Uefa sobre a federação tcheca, que não permitia a transferência de jogadores para fora do país antes dos 32 anos. Isso mesmo: os atletas só podiam jogar no estrangeiro quando já eram veteranos.

Multa por cerveja

Os jogadores tinham que seguir uma rígida cartilha de disciplina, que incluía a proibição da cerveja, apesar da bebida ser uma verdadeira instituição no país que é o berço da variedade Pilsen. Nos anos 1970, não havia tanto foco na preparação física, e o hábito de fumar também era comum no futebol. Mas, no futebol tcheco, rendia punições severas.

“Não podíamos fumar, beber álcool, comer doces nem fazer sexo nos três dias antes dos jogos. No meu último ano lá, por exemplo, já tinha 32 anos, dois filhos e fiz uma loucura: beber uma cerveja depois de um jogo. O treinador descobriu não sei como. Foi uma multa pesada, além da bronca no vestiário”, conta Panenka, que já estava acostumado a burlar essas regras – e foi assim que nasceu sua cavadinha.

iDNES.cz

Aposta por cerveja

Panenka começou no Bohemians Praga aos 10 anos de idade e só deixou o clube 23 anos depois. Logo que subiu para os profissionais, se destacou pela habilidade nos lançamentos e bolas paradas. Era o batedor de pênaltis do time, e ficou infonformado quando errou duas vezes a mesma cobrança. O juiz mandou voltar e, na terceira, finalmente acertou o gol. Mas ele sentiu que precisava treinar mais, e pediu ajuda ao goleiro do time.

Os dois ficavam no campo depois do treino e faziam um desafio de bolas paradas. Para animar a disputa, apostavam dinheiro, chocolates e cerveja. No começo, Panenka sempre perdia. Então, teve a ideia de usar a cavadinha nas cobranças de pênalti. Deu certo, e o jogo virou: “O único problema foi que engordei muito de tanto chocolate e cerveja”.

Getty Images

“Muito lento” para jogar na Espanha

Preparo físico nunca foi seu forte. Ele mesmo admite que não conseguiria atuar no futebol de hoje em dia: “Chama isto de futebol? Isto é mais atletismo!”. Panenka se orgulha de dizer que era mais boleiro que atleta: “Gostava de driblar, fazer gols e dar assistências, mas não tinha resistência nem força. Meus companheiros sempre diziam que eu jogava para a plateia, para os aplausos. Para mim, futebol é espetáculo. Se os torcedores saíam felizes, era um dia perfeito para mim”.

Foi justamente por não ser uma “máquina de jogar futebol” que Panenka recusou uma proposta para jogar no futebol da Espanha quando finalmente deixou o Bohemians Praga, aos 32 anos. Preferiu ir para o Rapid Viena, da Áustria. “Não iria me adaptar assim tão facilmente a um futebol mais veloz que o tcheco. Devia ter ido para a Espanha? Sim, claro. Talvez só um ano, para ganhar dinheiro, mas não seria a decisão correta. Para mim, para a minha família e para o meu corpo”.

Getty Images

Panenka jogou a Copa de 1982 com a Tchecoslováquia e só se aposentou em 1993, aos 44 anos. De volta a Praga, virou presidente do Bohemians, time que o revelou. Frequentemente é convidado para cerimônias da Uefa e participou do sorteio da última Eurocopa. O que ele fez no passado não será esquecido tão cedo e ainda vai inspirar muitos pênaltis ousados no futuro.

 

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