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Gandhi já teve time de futebol, foi dirigente e usava jogos para propaganda

UOL Esporte

30/11/2014 06h00

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Gandhi, destacado na foto com o Passive Resisters
(Crédito: Reprodução/Twitter
)

Hoje uma bandeira na luta contra a segregação racial e injustiças sociais, Mahatma Gandhi fundamentou boa parte de seus ideais na África do Sul. E foi lá, por meio do futebol, que ele começou a construir a filosofia de protesto não-violento. Para Gandhi, o futebol foi uma paixão e uma plataforma de propaganda. Foi o ninho perfeito para ele plantar nas camadas mais oprimidas os valores que serviram de base durante toda sua batalha.

Foi na Inglaterra, onde se formou em Direito, que Gandhi começou a gostar de futebol. Quando se mudou para a África do Sul e passou a trabalhar em Durban, o interesse aumentou até virar uma paixão. Ele jogou pouco futebol, segundo relatos, mas ajudou a criar três times e viu no esporte a ligação do útil ao agradável: os jogos lhe traziam paz e também o deixavam mais perto do povo, geralmente das classes que mais sofriam com a segregação racial.

Gandhi participou da fundação das três versões do Passive Resisters Soccer Club, times com mesmo nome distribuídos em três sedes: Durban, Johanesburgo e Pretória. Ele ia aos jogos, conversava com os jogadores nos vestiários e, quando a bola rolava, misturava-se à torcida.

Além de torcer, dava panfletos para todo mundo nos estádios mostrando como lutar contra as injustiças sociais de maneira não-violenta. Potencializou seus ideais por meio de um esporte de massa que era acompanhado principalmente por negros e hindus.

Um episódio no país africano fez com que sua revolta diante das leis raciais crescesse muito. Em uma viagem a trabalho de Durban a Pretória, de trem, Gandhi estava na primeira classe, para a qual havia comprado passagem. Um segurança o mandou para a classe econômica, alegando que ele não era branco. Gandhi se recusou, alegando ter a passagem correta. Foi expulso do trem e passou a noite no meio do caminho.

Sentindo que a briga como advogado nos tribunais não seria suficiente para alcançar uma maior dimensão, Gandhi viu em sua nova paixão esportiva o caminho perfeito para chegar à base da pirâmide social. Críquete e ciclismo, antigas paixões, perderam espaço para o futebol. Crescia ali, entre um jogo e outro, um líder mundial.

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